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Fungos : prato preferido para os combustíveis de segunda geração !

Esta causa está muito em voga: os biocombustíveis (agrocombustíveis), obtidos via agricultura, conduziriam a um desastre ecológico e alimentar. Espera-se, por conseguinte, muito dos biocombustíveis ditos de segunda geração, ou seja, obtidos a partir de restos vegetais. Um fungo devorador de tecidos poderá nos ajudar...

A história, parece, começou durante a Segunda Guerra Mundial quando o exército dos Estados Unidos combatia no Pacifico Sul um inimigo suplementar: o Trichoderma reesei. Esse fungo microscópico era o culpado, procurado há muito tempo, pela destruição maciça dos tecidos em algodão, ou seja: roupas, barracas e pára-quedas. Sua voracidade testemunha uma surpreendente eficiência em transformar a celulose, ou seja, a matéria que circunda as células vegetais, em açúcares simples, chamados monossacarídeos, que lhe servem de alimento. A primeira explicação desse apetite, superior àquele das espécies mais próximas, é uma produção excepcionalmente elevada de enzimas que degradam a celulose.





Trichoderma reesei.

Créditos: Wikipedia



Para compreender como esse fungo alcançava um tal grau de performance, uma equipe internacional, conduzida por Diego Martinez (Los Alamos National Laboratory, USA), se interessou por seu genoma. Seus resultados acabam de ser publicados na revista Nature Biotechnology. A surpresa veio do baixo número de tipos diferentes de genes implicados na produção de enzimas que digerem a celulose. Segundo os pesquisadores, T. reesei possuiria grupos de genes similares, produzindo em paralelo grandes quantidades de enzimas.


Combustíveis de madeira, feno ou fumaças de fábrica

Esse fungo aparece, portanto, como um bom candidato para a produção de biocombustíveis de segunda geração, que poderia ser obtido a partir de restos vegetais diversos, como os resíduos agrícolas. T. reesei poderia, por exemplo, produzir um coquetel enzimático que, purificado, seria acrescentado a uma decocção de resíduos orgânicos. Os açúcares produzidos seriam então facilmente transformáveis em etanol, ou seja, em biocombustivel utilizável em um motor à explosão.

Aliás, a idéia de utilizar o fungo da degradação da celulose não é nova, uma vez que se encontra uma "pista", já em 1994, na revista Enzyme and Microbial Technology (vol. 16, no. 10, pp. 870-882), em trabalho de dois autores, Anjani Kumari e T. Panda, do Instituto Indiano de Tecnologia. Na França, o INRA (Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica) e o CIRAD (Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento) procuram igualmente utilizar esse fungo para produzir combustíveis a partir de biomassa vegetal. Esse programa, mais ambicioso, quer dotar o champinhon de genes que lhe faltam: o pequeno tricoderma, de fato, não sabe digerir a lignina, esse grupo de polímeros inventado pelos vegetais e que constituem a madeira. Um fungo geneticamente modificado, que teria recebido genes de outras espécies, poderia, portanto, eficientemente, pensam esses pesquisadores, valorizar a madeira abandonada pela exploração florestal.





O tricoderma T. Reesei forma filamentos nos quais são vistas as proteínas (coloridas em vermelho) e o "envelope" de quitina (em azul).

Créditos: Mari Valkonen, VTT Technical Research Center, Finlândia



Essas pesquisas, bastante ativas, são testemunhas do interesse por uma segunda geração de biocombustíveis, sintetizados a partir de qualquer matéria vegetal como, por exemplo, gorduras animais. Desenvolvido nos anos 1920, o procedimento Fischer-Tropsch permite produzir facilmente um hidrocarboneto a partir de carvão, de gás, mas também de matéria orgânica. Denominado BTL (biomass-to-liquid), essa via pode, portanto, valorizar os resíduos vegetais da agricultura ou as aparas de madeira. Entretanto, tal procedimento tem um rendimento muito baixo. Há muito tempo os engenheiros começaram a se interessar por soluções, que parecem mais eficazes, inventadas pelos organismos vivos.

Nos Estados Unidos, a empresa Greenfuel já propôs um reator utilizando algas que convertem o gás carbônico ou fumaças de fábrica em óleo que serve de combustível para um motor diesel. Mal começou, a produção de biocombustíveis à base de colza, de girassol, de beterraba, de soja, de cana-de-açúcar ou de cereais já dá sinais de obsolescência, tanto que parece impossível socorrer as necessidades mundiais de biocombustíveis. As algas e os fungos podem vir a ser uma boa solução.

Futura Science, consultado em 23 de maio de 2008 (Tradução - MIA).


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