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ARTIGOS DE OPINIÃO

Nanoeducação : um grande desafio !


Com empregos apresentando um crescimento anual de 19%, a vasta área das nanotecnologias vai recorrer, nos próximos anos, a uma elevada mão de obra. As projeções estimam 2 milhões de empregos no mundo daqui a 2015 e até 6 milhões em 2020. Trata-se, portanto, para os responsáveis pelas instituições de ensino superior, de implantar programas de formação eficazes, a fim de responder às futuras necessidades da indústria nessa área. Uma seção da conferência IEEE Nano 2011 (IEEE, do inglês Institute of Electrical and Electronic Engineers) tinha como objetivo apresentar algumas dessas iniciativas nos Estados Unidos.


As "habilidades do século 21"

Deb Newberry trabalha para o Dakota County Technical College (EUA) onde criou em 2004 um curso de formação em nível de graduação, de dois anos, em nanotecnologias. Para ela, que desde muito jovem tinha decidido se tornar cientista, devido à influência do programa espacial americano, as nanotecnologias devem reacender a chama. Devem ter um papel idêntico na direção de aumentar a atração dos jovens pelas carreiras científicas. Para isso é preciso transpor certos a priori. Os alunos de Deb têm, frequentemente, medo de trabalhar de avental em salas limpas, se escolher uma carreira nas nanotecnologias. No final, apenas 3% dos alunos formados se encontram nesta situação.

Deb acredita também que é cada vez mais difícil entusiasmar os jovens. "Quando mostradas aos alunos imagens de superfícies sobre as quais se distingue os átomos de modo individual, o efeito obtido não está à altura da proeza técnica. Trata-se de imagens em preto e branco, aí onde seus jogos de vídeo em 3D fazem bem melhor para impressioná-los. É preciso tempo para que aprendam o que é a escala nanométrica. Depois, começam a compreender a dificuldade de realizar essas imagens e podem, então, apreciar o resultado. As imagens de objetos espaciais requerem bem menos investimento!"

A peculiaridade da área das nanotecnologias inclui a necessidade de abordar uma ampla gama de assuntos de aplicação. Deb põe ênfase em uma expressão da moda: as "habilidades do século 21". Trata-se de um corpus de competências que são esperadas hoje: capacidade de análise, gestão de projeto, pesquisa de informação, senso crítico. "Eles são ensinados a perguntar "por que", em vez de memorizar o conhecimento que eles podem acessar rapidamente na internet".

Por isto, Deb chama a atenção sobre os métodos de ensino e os conteúdos ensinados. As representações utilizadas nos livros para explicar alguns conceitos são às vezes limitadas, na verdade até mesmo erradas. É preciso também habituar os alunos a pensar em uma escala com a qual não estão familiarizados, adaptando exercícios básicos. Ela também coloca como "ponto de honra" falar das aplicações relacionadas com os conhecimentos aprendidos. Está aí um ponto essencial para ela, a fim de garantir que a área apresente um interesse para os alunos, para que eles compreendam para que serve seu ensino e como podem aplicá-lo. O fato de colocar a mão na massa, com um forte componente prático em laboratório, também permite assegurar este interesse.

"A indústria é meu cliente", assegura Deb, para quem um programa de formação só faz sentido se garantir oportunidades de emprego adequadas para seus alunos. Ela mostra até o presente uma taxa de colocação para seus alunos de 100%. A fim de continuar a assegurar o fluxo de estudantes, ela visita escolas para falar de seu programa. Uma operação que julgava ineficaz, até que, recentemente, um aluno de uma das escolas em que estivera se encontra participando de seu programa.


Necessidades enormes de pessoal técnico

Steve Fonash, da Penn State University (EUA), também tem instalado um programa dedicado à formação de pessoal técnico para as indústrias envolvidas nas nanotecnologias. Seu propósito é, igualmente, de não se focalizar sobre conhecimentos, mas sobre um conjunto de competências que permitam a seus alunos construir suas carreiras futuras. Estas são ao mesmo tempo técnicas - instrumentação, medidas, caracterização, fabricação, com muita prática -, e genéricas, como a gestão de projeto. O problema ao qual deve fazer face é a imagem negativa associada às profissões técnicas ligadas à fabricação, reputadas como pouco solicitadas intelectualmente. "Esta imagem está completamente distanciada do que se espera das técnicas que trabalham na fabricação de produtos avançados. Há imensos desafios a resolver e possibilidades de evolução na carreira."

Para garantir que o programa de formação é viável para a indústria, Fonash tem se cercado do National Industry Advisory Board (Conselho Consultivo da Indústria dos EUA), que promulga conselhos sobre o conteúdo da formação. Esta iniciativa foi apoiada por um financiamento da National Science Foundation (o CNPq americano).


A formação em segurança

As nanotecnologias colocam novos problemas em termos de segurança e a formação sobre estas questões é essencial, especialmente para as pessoas que serão levadas a manipular os nanomateriais em sua atividade quotidiana. Os dois programas precedentes comportam módulos de sensibilização a esta problemática. Dominick Fazano, da Universidade do Texas, em Tyler (EUA), trabalhou no desenvolvimento de um módulo de formação para as pessoas expostas aos nanomateriais. O primeiro - Nanotechnology Safety Training Course, montado com a ajuda de uma bolsa da Occupational Safety and Health Administration (OSHA), do Department of Labor, estará disponível proximamente no site da OSHA.


Conclusão

Os oradores salientaram vários pontos-chave: a necessidade de desenvolver programas de treinamento que atendam às expectativas dos futuros empregadores, a necessidade de um amplo componente prático nestes programas, destacando as habilidades que devem ser adquiridas primeiro que conhecimentos. As ligações entre as instituições e o mundo industrial devem ser reforçadas para atender à crescente demanda por pessoal treinado adequadamente. Também é necessário formar uma nova classe de pessoal, além de especialistas: os que atravessam as fronteiras. Num momento em que as barreiras entre as disciplinas científicas - particularmente no contexto das nanotecnologias -, se desmoronam, seu papel na transmissão de idéias entre diferentes atores é essencial para o surgimento de novas aplicações e novos produtos.

BE (Tradução - MIA).


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