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ARTIGOS DE OPINIÃO

Conflito de egos na ciência. Rivalidades Produtivas.

"Saia do meu caminho!" Este poderia ser o título informal deste livro. O jornalista Michael White descreve, em oito tópicos, como o ego e a competição podem ser o estímulo para que novas descobertas científicas sejam feitas. A obra inicia-se com Isaac Newton (1642-1727), cuja vida foi pontilhada de desavenças com outros colegas. Um dos exemplos clássicos é quando se atritou com Robert Hooke (1635-1703), presidente da Royal Society, ao comentar: "Se eu tenho enxergado mais longe, é por estar de pé sobre ombros de gigantes". Hooke era um anão fisicamente deformado que havia depreciado a "Teoria da luz e da cor", de autoria de Newton.

Charles Darwin (1809-1882) também foi vítima de animosidades. White relata que Samuel Wilberforce (1805-1873), bispo de Oxford, em reunião no Museu da Universidade de Oxford, em 1860, perguntou a Thomas Huxley (1825-1895), defensor do cientista, se seu ascendente macaco seria seu avô ou sua avó.


Capa da obra Rivalidades Produtivas, de autoria de Michael White.


Na energia nuclear, o jornalista analisa a evolução das pesquisas até chegar à produção da bomba atômica. Dois sistemas políticos - comunismo e capitalismo - são personagens de uma disputa que estimulou a produção da bomba pelos norte-americanos por meio do Projeto Manhattam. Uma das contendas aconteceu entre o físico e emigrado húngaro Edward Teller (1908-2003) e seu superior, Robert Oppenheimer (1904-1967). Teller defendia a produção de uma bomba de hidrogênio (ele é considerado o pai da bomba H) em detrimento da bomba atômica, de produção mais rápida e que tinha o apoio do resto do projeto. Openheimer não só recusou a proposta como o afastou do projeto. Teller se vingou mais tarde ao acusar o antigo chefe de ser simpático ao regime de Moscou na época em que vigorava nos Estados Unidos o macartismo - movimento criado pelo senador Joseph McCarthy e que gerou uma paranóia contra o comunismo.

Outra história apimentada é a que cerca a descoberta da estrutura da molécula do DNA. O autor descreve a corrida de quatro cientistas - James Watson (1926-), Francis Crick (1916-), Linus Pauling (1901-1994) e Rosalind Franklin (1920-1958) - pela paternidade da revolucionária descoberta. Watson e Crick foram considerados os vencedores ao apresentar a estrutura em 1953, o que lhes rendeu o Prêmio Nobel em 1962. Outro cientista laureado foi Maurice Wilkins, que havia mostrado à dupla o resultado das pesquisas de Franklin (uma imagem produzida por ela com raios X) sem o seu consentimento, o que causou suspeitas no mundo científico. Foi essa foto que iluminou Watson a desvendar a estrutura do DNA.

Fica muito claro na leitura deste livro que a ciência evoluiu em função da rivalidade que é observada entre os cientistas e mesmo entre países ou regimes políticos. Ela se encontra em todos os campos do conhecimento, e o ego de alguns cientistas não admite empecilhos que atrapalhem o seu caminho.

"A divergência está entranhada na ciência, e o cientista só pode atuar desafiando as regras, discutindo aquilo que já é conhecido e tentando encontrar respostas novas e melhores para questões fundamentais".

Nota do Managing Editor: texto de Luiz Francisco Senne, (lalves@edglobo.com.br) publicado na revista Galileu, novembro 2003/ número 148, secção Livros. A ilustração apresentada aqui foi obtida na página do Grupo Editorial Record (http://www.editorarecord.com.br).

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