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Universidade em perigo ?

"Universidade em perigo", este é o título do editorial do "Le Monde", datado de 21 de janeiro último. O jornal expressa dessa maneira sua preocupação com as "alarmantes" dificuldades vividas pela universidade francesa e, comentando um relatório oficial, afirma que "a França corre o sério risco de ficar para trás na corrida tecnológica mundial" caso não aumente seus investimentos de ensino superior de 1,1% para 1,6% do PIB.

O debate sobre o destino da instituição universitária no mundo globalizado não é brasileiro. Ele ocorre na França, na Inglaterra, na Alemanha e em tantos outros países. Isso acontece porque o conhecimento, hoje mais do que ontem, é absolutamente estratégico para o desenvolvimento das nações, como aliás reconhece o editorial do "Le Monde".

No Brasil, quando tratamos da universidade, muitas vezes a confundimos com um segmento do ensino, dedicado sobretudo à formação profissional. Essa, sem dúvida, é uma de suas missões. Entretanto, como instituição, o papel social da universidade é muito mais abrangente. A instituição universitária, milenar em alguns países, ganhou legitimidade ao exercer três grandes funções: a preservação de entidades, culturas e valores; a mediação democrática de conflitos sociais, políticos e ideológicos; e a inovação, procurada em todos os domínios do conhecimento - das artes às ciências. As nações mais desenvolvidas do planeta souberam prover-se de grandes universidades. Também por isso elas dispõem, hoje, de melhores indicadores de desenvolvimento econômico e humano.

Embora tardia, a experiência universitária brasileira progrediu rapidamente. Nosso país dispõe hoje de algumas das mais qualificadas universidades latino-americanas. Nosso sistema de ensino superior, contudo, ainda é pouco acessível. Apenas 9% da população com idade entre 18 e 24 anos freqüenta algum curso superior, quando esta taxa passa de 30% em países vizinhos e alcança 50% em nações do mundo desenvolvido. O desafio que se apresenta para o Brasil é, portanto, imenso. Se não quisermos renunciar à possibilidade de prover a universidade brasileira do desenvolvimento científico e tecnológico, precisamos de uma universidade capaz de explorar as fronteiras do conhecimento, que dialogue de igual para igual com os grandes centros de excelência. Mas essa universidade também deve responder a demandas de uma sociedade desigual como a nossa. Não pode fugir de suas responsabilidades e compromissos sociais.

A universidade pública brasileira já fez muito por nosso país, porém, com certeza, pode e deve fazer mais e melhor. Toda e qualquer proposta para a universidade brasileira não pode desconhecer que precisamos avançar - e não retroceder. Por isso, a reforma universitária não interessa somente às "corporações", como querem alguns, nem somente aos governos, como querem outros: ela interessa também, e principalmente, à sociedade. Ignorar esse debate é apostar na derrota da experiência universitária brasileira.

Nota do Managing Editor: O presente texto foi primeiramente publicado na revista Galileu, em fevereiro de 2004, número 151, na seção Idéias.
Wrana Panizzi é Reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Presidente da Andifes (Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior).

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