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ARTIGOS DE OPINIÃO

Sojadiesel e alcoolquímica


Analistas do setor energético convergem na premissa da finitude das reservas de gás, petróleo e carvão, discordando apenas ao estimar o prazo final. Porém, na hipótese mais otimista, essas reservas estariam comercialmente esgotadas ao alvorecer do século XXII. Na procura por um sucedâneo, as oportunidades que se abrem para o Brasil são espetaculares, pois o petróleo é utilizado tanto para produção de energia, como serve de insumo para a quase totalidade da indústria química. Monômeros, polímeros, plásticos, medicamentos, agrotóxicos, perfumes e um amplo leque de produtos consumidos pela sociedade moderna dependem do petróleo para sua fabricação.


Demandas

O maior consumo potencial se concentra na produção de energia elétrica; no aquecimento de casas e outras edificações, em países com invernos rigorosos; e nos combustíveis líquidos, usados principalmente para o transporte. Em termos de combustíveis líquidos, o Brasil reúne as condições para liderar a oferta mundial de álcool, a partir da cana-de-açúcar e de outras plantas amiláceas; e de biodiesel, baseado em oleaginosas como soja, girassol, colza, amendoim, dendê ou babaçu. O mercado de biomassa florestal é adequado para uso na geração de calor, para o aquecimento de residências e de outras edificações. Também pode ser útil para a geração de energia elétrica, por meio de plantas de conversão.


Álcool

A biomassa pode suprir esta lacuna, com alternativas adequadas a todos os usos. Para substituir combustíveis líquidos, o programa brasileiro do álcool (Pró-Álcool) demonstrou a viabilidade de seu uso como combustível, tanto isoladamente, quanto em mistura com gasolina. A tecnologia de produção de cana-de-açúcar e de fabricação de álcool evoluiu, acentuadamente, nos últimos anos, tornando o produto francamente competitivo no mercado internacional, tanto sob a óptica financeira quanto tecnológica. A co-geração de álcool e energia elétrica (a partir do bagaço de cana) e a tecnologia de extração de álcool da palhada e do bagaço de cana, forneceram um lastro extra de competitividade para o produto brasileiro.


Engenharia Mecânica

Também a tecnologia dos motores evoluiu consideravelmente, permitindo o lançamento de veículos equipados com sensores eletrônicos que identificam a proporção da mistura álcool e gasolina. Os sensores efetuam automaticamente os ajustes para otimizar o desempenho do motor, sob qualquer condição, desde a operação com álcool puro até a gasolina pura. Esta tecnologia deve dar o impulso definitivo à substituição da gasolina por álcool, pois elimina a incerteza em relação à garantia de abastecimento. O álcool também é um sucedâneo de aditivos incorporados aos combustíveis, como o MTBE, utilizados para melhorar a octanagem.


Biodiesel

As oleaginosas (dendê, mamona, soja, girassol) podem fornecer matéria-prima para a obtenção de biodiesel, através de processos simples de conversão industrial. A Embrapa já dispõe de tecnologia para efetuar a transformação, utilizando um processo diferenciado da transesterificação usada nos EUA, sendo mais simples, barato e com melhor balanço energético. O biodiesel substitui, adequadamente, o petrodiesel, em termos de desempenho e balanço energético, possuindo a vantagem adicional de não emitir gases sulfurosos, um potente poluidor da atmosfera. E, tanto o álcool, quanto os óleos vegetais, podem ser sucedâneos do petróleo no fornecimento de substâncias orgânicas para uso na indústria química.


Matéria-prima

A indústria química necessita das cadeias de carbono de substâncias orgânicas, para promover a sua transformação industrial. A matéria-prima atual depende de petróleo. Com a previsão do declínio de sua oferta, as grandes empresas químicas mundiais, responsáveis pela fabricação de monômeros, polímeros, elastômeros e outras substâncias que dão origem a plásticos, tintas, explosivos, agrotóxicos, medicamentos, estão investindo em alternativas.

Os seus departamentos de pesquisa perscrutam, principalmente, a biomassa, pelo seu baixo custo e pela possibilidade de oferta continuada em grande escala. Adicionalmente, com técnicas de biotecnologia, será possível "desenhar" uma planta em laboratório, para que a matéria prima produzida esteja tão próxima do produto final quanto possível. Caso essa seja a estratégia adotada, o Brasil será duplamente beneficiado: além de fornecer matéria prima, o agricultor estará agregando valor ao produto dentro da porteira da fazenda.

Nota do Managing Editor: Décio Luiz Gazzoni é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja. Homepage www.gazzoni.pop.com.br. Essa matéria foi primeiramente veiculada pela Agência Radiobrás (www.radiobras.gov.br), em 24.07.2004.

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