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ARTIGOS DE OPINIÃO

A necessária revolução do computador pessoal.

Há dez anos os progressos da miniaturização foram verdadeiramente impressionantes. Hoje dispomos de PC do tamanho de uma caixa de sapatos, de discos rígidos do tamanho de um maço de cigarros e de telefones celulares e palmtops mais leves e mais finos que uma agenda de bolso. A última proeza técnica são as chaves USB, menores que uma caneta e que podem conter um Go, tornando possível que levemos a toda parte todos os nossos arquivos e mesmo nossa discoteca digital. Amanhã, mini e micro-discos rígidos, do tamanho de uma moeda, permitirão que nossos celulares, câmaras de vídeo, CD players e aparelhos fotonuméricos estoquem quantidades fenomenais de dados, sejam eles textos, imagens ou som.

Mas essa miniaturização, que se faz acompanhar de uma corrida sem fim à potência e à capacidade de armazenamento, não diz respeito senão à parte central dos sistemas numéricos, aquela que trata e estoca a informação. A "entrada" continua, há mais de meio século, a ser feita essencialmente no teclado e a visualização se dá sempre sobre as telas, que têm se tornado planas, mas nem por isso menos espaçosas e relativamente pesadas. Esse paradoxo se revela de modo impressionante em nossos telefones celulares e nossos equipamentos portáteis. Os últimos smartphones (telefones inteligentes) têm uma potência de cálculo e uma capacidade de estocagem equivalentes àquelas de nossos computadores de mesa dos anos 80, contudo a "entrada" via teclados minúsculos e frágeis torna-se rapidamente fastidiosa e as telas de alguns cm2 de nossos telefones celulares, a despeito de sua qualidade, não permitem um uso realmente confortável. Pode-se, é claro, aumentar o tamanho da tela e o do teclado, mas isso implica igualmente no aumento do peso, do espaço e do consumo de energia.

Para escapar desse beco aparentemente sem saída, a única solução verdadeiramente inovadora consiste em repensar o próprio conceito de computador, separando fisicamente as 3 funções, teclar, tratar e exibir, desenvolvendo para a teclagem verdadeiras alternativas ao teclado e, para a exibição, telas virtuais. Telas que utilizam a projeção holográfica e são integráveis em pesados óculos já existem, mas continuam sendo bastante caras e perfectíveis.

Contudo, estou convencido de que esse tipo de tela, que propõe uma imagem virtual comparável àquela de uma tela física de um metro de diagonal, representa o futuro da informática e dos divertimentos numéricos, sendo chamada a substituir nossas telas físicas num prazo de 20 anos. As vantagens dessa tecnologia são, de fato, consideráveis, porque ela permite dispor da qualidade e do tamanho de uma tela gigante, sem as restrições de peso, de espaço e de consumo de energia.

Ainda outra vantagem: essa virtualização de tela oferece uma total discrição, permitindo a cada um trabalhar de modo totalmente confidencial. Em matéria de novas aplicações, essas telas virtuais abrem igualmente perspectivas imensas. Pode-se imaginar que essas telas portáteis possam, a qualquer momento, nos fornecer informações extremamente úteis sobre o lugar em que nos encontramos, ou mesmo exibir instantaneamente em nosso campo de visão uma informação importante, por exemplo, em matéria de segurança na estrada, quando estamos ao volante. Resta, ainda, o gargalo da teclagem.

Nesse domínio, devemos constatar que, a despeito de suas constantes melhorias, as soluções de comando e de reconhecimento vocais não substituíram o teclado e, infelizmente, continuam com um uso limitado a certas profissões e certas aplicações. A esse respeito, constata-se que poucos computadores pessoais são vendidos com um software de reconhecimento vocal. É de se lastimar que os fabricantes não proponham esse tipo de software em série, a fim de que o grande público possa se familiarizar com o reconhecimento vocal. É, de fato, paradoxal constatar que a maioria dos PCs vendidos propõe uma infinidade de softwares - de complexidade completamente excessiva e inútil para o utilizador médio -, mas nem mesmo são equipados em série com um software de reconhecimento vocal básico, como o Dragon Speak, que funciona muito bem e melhora verdadeiramente o conforto e a produtividade do usuário comum no trabalho.

Se quisermos transpor uma nova etapa na generalização da informática e no melhoramento da produtividade numérica, devemos acelerar a disseminação do reconhecimento vocal, como interface principal na direção da informática e da Internet. Devemos igualmente fazer um esforço particular de pesquisa para acelerar o futuro das telas virtuais portáteis, a fim de evitar que os países asiáticos não conquistem esse imenso mercado potencial, do mesmo modo como souberam se impor no mercado das telas planas. Essa virtualização das funções de teclagem e de visualização nos permitirá utilizar, a qualquer momento e em todo lugar, de maneira transparente e intuitiva, todos os recursos numéricos da Internet.

(Tradução - MIA)

Nota do Managing Editor: René Trégouët é Senador Honorário da República Francesa (fundador do Grupo de Prospectiva do Senado francês). Esta matéria foi primeiramente publicada no RT Flash-Lettre 307, de 22-28 de outubro 2004.

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