Laboratório de Química do Estado Sólido
 LQES NEWS  portfólio  em pauta | pontos de vista | vivência lqes | lqes cultural | lqes responde 
 o laboratório | projetos e pesquisa | bibliotecas lqes | publicações e teses | serviços técno-científicos | alunos e alumni 

LQES
pontos de vista
artigos de revisão

artigos de opinião

editoriais

entrevistas

divulgação geral

divulgação LQES

 
ARTIGOS DE OPINIÃO

Privacidade Zero.


A privacidade é uma questão cada vez mais importante na sociedade contemporânea. Não se assuste, não vamos encetar aqui uma dissertação sociológica. Vamos, sim, mostrar-lhe os avanços tecnológicos feitos nos últimos tempos para que a nossa privacidade seja uma realidade. Sorria, está a ser elucidado!

O Blur é um spray antifotográfico, de fácil aplicação, que vai manter afastados os flashes das câmaras de vez. Útil, sobretudo, para celebridades ou mesmo para usar durante aqueles 15 segundos de fama que todos temos (diz-se) - depois de os paparazzi virem que nada podem fazer para contornar o problema vão deixá-lo descansar. O Blur foi pensado para ser espalhado sobretudo pela face para que, quando um flash acende, a luz seja reflectida, graças às nanopartículas altamente refletivas. A zona da face não passa de um círculo prateado em que não se distinguem os traços fisionómicos. Uma idéia de Kok-Chian Leong e criado pelo grupo Troika que, aliás, participa ainda noutro projeto interessante, baseado em ADN.





Efeito da aplicação do Blur na face de uma pessoa.

Créditos: T3



O Factor 40 DNA Protection é um produto, também em spray, que impede que o seu ADN se espalhe e seja usado indevidamente para outros fins - quem sabe, confirmar que é realmente pai/irmão/filho do seu familiar e que não pertence a uma qualquer família alienígena. Voltando ao produto. Segundo os autores, "o spray ajuda a manter as células no local certo, enquanto adiciona uma fina camada de ADN de outras pessoas". A idéia é de Suw Charman. Ambos os projetos estão em exibição na exposição The Science of Spying, no Science Museum de Londres, Inglaterra, a decorrer até 2 de Setembro de 2007.

Já um projeto que a HP está a desenvolver debruça-se mais no bloqueio das invasões de privacidade. Um distintivo eletrônico trava as câmaras e previne as tão indesejáveis fotos à socapa. Chama-se, por enquanto, "sistema de proteção de privacidade" e vai permitir aos que não querem ser fotografados transmitir um sinal de infravermelhos às câmaras compatíveis que estiverem nas redondezas. A face de quem ativar o sinal sai automaticamente desfocada.

Além deste sistema, a HP está também a trabalhar numa câmara ativada por um alfinete de peito, ou mesmo por um brinco de mola, que vai poder tirar uma fotografia sem que o fotografado dê por isso. Tecnologicamente falando, o equipamento tem um acelerômetro que detecta um pequeno gesto da cabeça que envia depois essa informação à câmara - a foto é tirada imediatamente.

Por outro lado, os inventores japoneses Hiromi Someya e Toshiki Ishino, de Kanagawa, desenvolveram um equipamento específico e um sistema para transformar as faces de quaisquer pessoas fotografadas. O equipamento inclui um sistema óptico que joga com dois modos: um tira uma fotografia com mais píxeis, outro com menos. Depois de identificar as faces na foto, a resolução da face é, então, reduzida, até que fica desfocada e irreconhecível.

Mas há o reverso da moeda, como em quase tudo na vida - não, aqui também não vai começar o sermão sacerdotal. A Nokia está a preparar uma função similar ao GPS em que os utilizadores de um telemóvel com câmara podem convidar os indiscretos fotógrafos a tirar-lhes uma foto. O "modo celebridade" envia um sinal Wi-Fi às câmaras compatíveis, quando ativado.

Com a promessa de uma melhoria na segurança pessoal, as invasões à privacidade vão-se sucedendo, com as câmaras de vigilância nas lojas e até nas ruas. No entanto, a tecnologia tenta salvaguardar quem não pretende ser apanhado em flagrante em ações tão vulgares como fazer compras ou levar o cão a fazer xixi. Vejamos se o futuro nos reserva um espaço para a privacidade total.


Nota do Managing Editor: a Editoria optou por manter o texto na língua original: Português de Portugal, sem fazer adaptações para o Português do Brasil. Afinal, a gente se entende. E muito bem!

T3 (Portugal) (www.t3.com.pt), consultado em 04 de junho de 2007.



 © 2001-2017 LQES - lqes@iqm.unicamp.br sobre o lqes | políticas | link o lqes | divulgação | fale conosco