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ARTIGOS DE OPINIÃO

As Ciências Químicas no Brasil.


Durante a Conferência Avanços e Perspectivas da Ciência na América Latina e Caribe, realizada na sede da ABC entre 3 e 7 de dezembro, cientistas das diversas áreas da Ciência do Brasil e de países vizinhos discorreram sobre a situação de sua área no momento atual. O estado da arte da Química no Brasil foi apresentado pelos Acadêmicos Marco Antônio Chaer, que tratou da Química Teórica, Oswaldo Luiz Alves, que falou sobre a Nanotecnologia, e Jailson Bittencourt de Andrade, que discorreu sobre a Química Analítica.





Da direita para esquerda Jailson Bittencourt de Andrade, Marco Antonio Chaer e Oswaldo Luiz Alves, no debate que se seguiu após as apresentações.

Créditos: Elisa Oswaldo-Cruz


Oswaldo Luiz Alves, que atua nas áreas de Química de Materiais e Nanotecnologia no Instituto de Química da Unicamp, mostrou que a cada uma das disciplinas da Química existe uma atividade correspondente no setor industrial. Para ele, um dos exemplos que mostra o crescimento do setor é o da empresa brasileira Braskem que em 2007, segundo a revista Chemical and Engineering News, da American Chemical Society, passou a fazer parte da seleta lista das 50 maiores indústrias químicas do mundo. Adiantou, ainda, que o setor químico em 2007 teria um faturamento superior a 100 bilhões de dólares.

Alves explicou que a nanoescala implica em modificações nas propriedades físicas dos materiais. "Para dimensões abaixo de 50 nanômetros, as leis da Física Clássica dão lugar aos efeitos quânticos, que provocam diferentes comportamentos ópticos, eletrônicos e magnéticos". Modificações importantes das propriedades mecânicas também ocorrem na nanoescala, explicou o Acadêmico. Segundo ele, em 15 anos o Brasil poderá movimentar mais de 10 bilhões de dólares do mercado nanotecnológico, de acordo com estudo que coordenou para o Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE <http://www.nae.gov.br>) da Presidência da República e CGEE. Esse montante corresponde a cerca de 1% do mercado nanotecnológico, estimado em mais de um trilhão de dólares, como apontado no estudo citado.

Para o crescimento da Nanotecnologia no país, Oswaldo aponta as principais demandas. A primeira é por pessoas: é preciso atrair os jovens talentos para a Nanotecnologia, ultrapassar as barreiras entre as disciplinas e estimular pesquisadores com mentalidade industrial. A segunda grande demanda é por investimentos em infra-estrutura e em coordenação gabaritada para administrá-la. "A terceira demanda é por inovação, pela criação de empresas de capital de risco, pelo aumento dos registros de patentes, por regulamentação e metrologia", ressaltou Alves. "E, principalmente, é fundamental que haja um desenvolvimento responsável, baseado na informação, na comunicação e no diálogo."

A Sociedade Brasileira de Química (SBQ <http://www.sbq.org.br>) foi mencionada no início da apresentação do Acadêmico Jailson Bittencourt de Andrade, do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia. Criada em 8 de julho de 1977, a Sociedade conta hoje com 22 secretarias regionais, 12 divisões científicas, um fórum de coordenadores de graduação e outro de pós-graduação. "Em 2006, a pós-graduação em Química no Brasil contava com 55 cursos, formou 590 mestres e 340 doutores; publicou 2743 artigos, e registrou 70 patentes", enumerou Jailson.

Em seguida, o pesquisador mostrou um panorama das origens da Química Analítica no Brasil, com destaque para os estados da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. "O parque de equipamentos e de pesquisadores na área é expressivo, e tem contado com financiamento de agências federais, estaduais e de empresas que permitiram a constante atualização dos instrumentos. Os gargalos atuais continuam sendo a manutenção dos equipamentos e pessoal técnico qualificado."

Jailson destacou que um dos principais avanços recentes na área foi o uso intenso de técnicas estatísticas de análise multivariada na Química Analítica e mostrou exemplos de sucesso na identificação do aroma de pimentas, no estudo de algas, peixes, vinhos, aerossóis atmosféricos e, em especial, no estabelecimento de marcadores químicos da infecção de cães por leishmaniose a partir do aroma do pelo canino.

A Química Teórica no Brasil foi o tema da palestra de Marco Antonio Chaer Nascimento, do Instituto de Química da UFRJ. Chaer explicou que esta é a parte da Química que se ocupa do desenvolvimento de modelos, utilizados para racionalizar e interpretar dados experimentais e, principalmente, para prever fenômenos químicos.

Segundo ele, com a Química Teórica pode-se fazer tudo que se imaginar. "O limite é a sua imaginação", reforçou o Acadêmico. Num brevíssimo diagnóstico da área, o Acadêmico destacou que as principais necessidades da área no Brasil hoje são o desenvolvimento de novos modelos e aplicações simples de modelos existentes. "Os principais desafios envolvem a criação de modelos para o tratamento de processos químicos em solução, principalmente os que envolvem íons, e também para processos fotoquímicos, além da dinâmica das reações químicas em geral", destacou Chaer.

Ele considera que o maior entrave para o desenvolvimento da área é falta de pessoal qualificado: em sua opinião, os alunos chegam a universidade cada vez mais deficientes em sua formação básica. Em termos de colaboração com outros países da região, Chaer destacou a interação com Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, México e Cuba. "A maior dificuldade para que essa cooperação se desenvolva é a morosidade das agências, de ambos os lados, e os recursos financeiros escassos", concluiu o especialista.


Nota do Managing Editor: esta matéria de autoria de Elisa Oswaldo-Cruz foi primeiramente veiculada no boletim Eletrônico Noticias ABC, da Academia Brasileira de Ciências, em 21 de dezembro de 2007.


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