Laboratório de Química do Estado Sólido
 LQES NEWS  portfólio  em pauta | pontos de vista | vivência lqes | lqes cultural | lqes responde 
 o laboratório | projetos e pesquisa | bibliotecas lqes | publicações e teses | serviços técno-científicos | alunos e alumni 

LQES
pontos de vista
artigos de revisão

artigos de opinião

editoriais

entrevistas

divulgação geral

divulgação LQES

 
DIVULGAÇÃO

Uma boca FM : só mesmo ouvindo !

Jacques Simon, de Saint-Nangis-les-Mortagnes, escreveu à Science & Vie falando sobre um de seus parentes que ouve vozes que parecem não provir de parte alguma. Ele precisa:

"Esse homem, quando no Vietnam, foi submetido a importantes trabalhos de prótese dentária. Parece-me ter ouvido dizer que, em certos casos, raríssimos, a presença de próteses dentárias metálicas poderia engendrar um tipo de recepção de rádio. Um "evento" como esse poderia ser cientificamente explicado? Teriam os senhores tido conhecimento de algo semelhante? Em caso positivo, como seria possível interromper essa recepção parasita?

Science & Vie responde: esse fenômeno já foi constatado. Mas, para que ele aconteça, três condições devem ser preenchidas, fato que explica sua raridade. É necessário que o "paciente atingido" porte próteses dentárias, ou coroas constituídas de metais diferentes; que ele viva nas proximidades de uma emissora de rádio potente; e, de preferência, que as próteses se encontrem vis-à-vis: uma sobre o maxilar superior, a outra sobre o inferior. A partir daí, em presença de saliva, esse par metálico se transforma em uma pequena pilha elétrica. Assim, submetidas a uma emissão de rádio, as próteses entram em vibração no ritmo da modulação: a voz ou a música que difunde a estação. Essas vibrações são transmitidas ao ouvido interno do paciente pelo osso da mandíbula (queixo) e do crânio: ele, então, "escuta" a emissão.




Boca... FM de óperas? Só se for!


Uma "estória" desse tipo foi contada no início dos anos 40. Um parisiense, que morava nas proximidades da Torre Eiffel, se queixava de ouvir permanentemente as emissões difundidas pela Rádio Paris. Ele não podia pegar no sono senão ao final das emissões, para logo despertar sobressaltado quando, novamente, a rádio entrava no ar. Ele conseguiu vencer o ceticismo - aliás, bem compreensível -, de seu meio, descrevendo o programa em curso, depois pedindo aos presentes que ligassem o rádio para constatarem a veracidade de suas afirmações. Todos foram unânimes em convir que ele realmente "recebia" a Rádio Paris.

Ele constatou, segundo seu relato, que quando estava na casa de seus amigos em Paris - só que em outros bairros mais distantes, embora os aparelhos de rádio da época captassem perfeitamente a Rádio Paris -, ou quando viajava em férias, o fenômeno desaparecia.

Foi um de seus amigos rádio-eletricista quem acabou descobrindo a fonte de seus problemas: duas coroas, em metal diferente, colocadas face a face. No caso de seu parente, poderia tratar-se de um fenômeno parecido. Para tanto, não precisaria tratar-se necessariamente de uma rádio de audiência pública. Táxis, empresas, hospitais, polícia, etc. têm, cada vez com maior freqüência, recurso às estações de rádio para se comunicar com suas frotas de veículos. Se as ondas de rádio estão efetivamente na origem do problema, duas soluções podem ser oferecidas a seu parente: ficar longe de qualquer emissor, ou - o que é, com certeza, mais realista -, proceder à substituição de suas próteses metálicas por equivalentes em cerâmica ou resina-compósito.

Nota do Managing Editor: esta matéria foi elaborada a partir de informações veiculadas na revista Science & Vie, secção Forum, de junho de 2003, com tradução/texto de Maria Isolete Alves (MIA). Obteve-se a ilustração aqui apresentada no endereço http://www.google.com/.

 © 2001-2017 LQES - lqes@iqm.unicamp.br sobre o lqes | políticas | link o lqes | divulgação | fale conosco