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Amanhã, atletas serão "verdadeiros" ciborgs genéticos ?


Pequim, 24 de agosto de 2008. Os Jogos Olímpicos terminam com um triunfo da China: 50 medalhas de ouro, 22 recordes mundiais. Os chineses conseguiram realizar um programa generalizado de dopagem genética? O mundo esportivo se interroga.

Pura science-fiction? "A dopagem genética chegará um dia, assegura Olivier Rabin, diretor científico da Agência Mundial Antidopagem (AMA). Alguns cientistas disseram-nos ter sido abordados por esportistas ou por sua entourage". Assim disse Lee Sweeney, pesquisador da Universidade da Pensilvânia (EUA), que, em 2004, conseguiu modificar geneticamente, camondongos e ratos, a fim de torná-los mais musculosos e mais fortes.

Na verdade, o assunto já gera inquietações. Domingo 4 e segunda 5 de dezembro, a AMA organizou em Estocolmo (Suécia) um simpósio internacional sobre dopagem genética, reunindo aproximadamente cinqüenta cientistas.

M. Rabin admite: "Não possuímos qualquer prova para dizer que os atletas já utilizaram, ou tentaram utilizar, a terapia genética para se dopar. Contudo, as tecnologias são conhecidas e estão, em grande parte, disponíveis". O principal freio a seu desenvolvimento, segundo o cientista, doutor em toxicologia, é que "a transferência de genes não está ainda totalmente dominada e, assim, limita as chances de sucesso. Manipular genes, logicamente, não pode ser feito no fundo de sua cozinha: não é assim tão simples quanto manipular um esteróide ou um estimulante".




DNA


A terapia genética apresenta um interesse evidente para os esportistas: melhorar suas performances. Alguns genes comandam o aumento da massa muscular, quando outros determinam a quantidade de células sangüíneas presentes no organismo. "A partir do momento em que é possível manipular esses genes e determinar seu funcionamento ou detê-lo à vontade, o efeito pode ser similar àqueles de substâncias farmacológicas", explica o diretor científico da AMA. Ao invés de dopar um esportista administrando-lhe eritroproteína (EPO) para melhorar sua capacidade de oxigenação, logo, sua resistência ao esforço, poder-se-á inoculá-lo com genes capazes de comandar a produção de EPO.

Na Espanha, cientistas já trabalham com a identificação de genes para prevenir certos ferimentos esportivos. Na Austrália, a Federação de Futebol, já em 2004, tinha em vista testar jogadores geneticamente para detectar os jovens talentos antes de se retratar frente à oposição do Comitê Olímpico Australiano. Terão outros países menos escrúpulos ao selecionar seus futuros campeões baseados em seu patrimônio genético? "Sociedades australianas já propõem, a partir de um levantamento bucal antecipado, testar a presença de dois ou três genes associados a características de performance, como o ACTN-3, precisa o francês. Algumas derivações são possíveis, como, por exemplo, orientar o futuro de um indivíduo em função de um ou vários genes".

Desde 1999, várias equipes de cientistas - no Reino Unido, nos Estados Unidos, ou ainda na Espanha -, acreditam haver um "gene da performance", o Angiotensin-Converting Enzime (ACE). M. Rabin contesta essas informações. "Não pode existir um tal gene; sua existência é totalmente ilusória. O que é uma performance? Um atirador de arco não é um maratonista ou um alterofilista. Em compensação, genes podem ser modificados, alterados, modulados ou regulados para melhorar determinadas performances: estimular a secreção natural do EPO ou do hormônio do crescimento para um esportista de enduro, por exemplo".




Dopagem Genética?


A dopagem genética, desde 2003, não obstante ainda virtual, está inscrita na lista oficial "das substâncias e métodos proibidos". A AMA deseja combater o sonho dos trapaceiros: dopar-se sem risco de ser preso. A agência financia atualmente cinco programas de pesquisa. "Amanhã teremos elementos que nos permitirão detectar a dopagem genética", afirma M. Rabin. Uma de suas equipes já mostrou que as manipulações genéticas induzem, em nível de genes e de proteínas, reações que lhes são características, logo, identificáveis. Outros trabalhos provam que, caso se manipule geneticamente um organismo para que ele fabrique mais EPO, o traço deixado por essa produção artificial é diferente do EPO secretado naturalmente pelo corpo.

Outra pista de pesquisa é ainda mais promissora, segundo o diretor científico da AMA: a dopagem provoca um desequilíbrio no organismo, produzindo mais células musculares ou sangüíneas. Pesquisadores acabam de estabelecer a "assinatura" genética deixada quando da administração de esteróides em ratos.

Le Monde, 03 décembre, 2005 (Tradução - MIA).


Nota do Managing Editor: as ilustrações desta matéria não constavam do texto original, foram obtidas em www.google.com.


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