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DIVULGAÇÃO

Engana-se quem pensa que o deus Cupido nada tem a ver com a Ciência Química. A Royal Society of Chemistry lança luzes sobre o assunto.


A Royal Society of Chemistry (RSC) tem, desde sua fundação, prestado tantos serviços à Ciência e, por tabela, à sociedade como um todo, que esta, parece, já não mais pode pensar a si mesma sem referências às contribuições daquela.

Nos mais diferentes domínios, "a mão" da RSC se faz presente: informações sobre os benefícios da couve-de-bruxelas para a saúde, recomendações - bastante ortodoxas -, de um método para a preparação do chá, etc., para ficarmos mais no âmbito das necessidades do cidadão comum.

A sociedade dos químicos debruça-se, agora, sobre um tema de interesse geral desde que o mundo é mundo. Nada mais nada menos que a química do amor. É isto mesmo! O amor permanece sendo um fenômeno místico, o fundamento do teatro, das artes, da música, cujos mistérios a Royal Society vê-se na contingência de ter que resolver.


Figura representando o deus Cupido.

Trata-se de tema dos mais complexos, uma vez que há no processo amoroso três etapas, segundo a RSC, cada uma das quais com seu perfil emocional característico e sua explicação científica. Vejamos:

  • o desejo, mola mestra que impulsiona o amor. Tudo tem início nele. Os hormônios sexuais - testosterona e estrogênio -, é que exercem o controle sobre o mesmo;

  • a afeição, momento em que o indivíduo perde não apenas o apetite, mas também o sono e suas faculdades de concentração, etc., enfim, quando ele se apaixona. Mãos úmidas, frias; gagueira; inquietação; mal-estar estomacal, etc., são os sintomas, devidos às monoaminas - espécies químicas presentes no cérebro. Trata-se da dopamina, da noradrenalina e da serotonina. As duas últimas nos excitam, enquanto que a dopamina nos torna alegres, brincalhões. Tais substâncias são controladas pela feniletilamina, de estrutura similar à de uma anfetamina, encontrada também no chocolate e nos morangos;

  • o apego, terceira etapa do processo, conta com dois hormônios polipeptídicos diferentes: a ocitocina e a vasopressina, que exercem papel importantíssimo. O primeiro é, também, responsável, entre outras, pelas contrações durante o parto e pela produção do leite no transcurso do aleitamento. A vasopressina, por sua vez, é a espécie química da monogamia. Para que se tenha uma idéia, apenas 3% dos mamíferos são monógamos, e, é claro, os humanos não fogem à estatística! Na origem de nossos conhecimentos sobre a vasopressina estão as cobaias (ratos de laboratório). Isolando-as após o acasalamento, cientistas descobriram que a fidelidade a um só parceiro podia ser relacionada à ação da vasopressina.



Antes da cópula, a cobaia-macho apresenta um comportamento amigável em face das outras, quer sejam elas machos ou fêmeas; após, o macho defende ciosamente sua fêmea. Suprimindo-se artificialmente o efeito da vasopressina no macho, a fidelidade desaparece como que por encanto e o macho não mais defende a fêmea contra as investidas de outros machos.

A longevidade do amor está ligada ao papel das endorfinas, as quais apresentam as mesmas propriedades antidor e de bem-estar que sua prima morfina, sem, contudo, apresentarem os riscos da overdose.

Pergunta inevitável à esta altura: como identificamos o par ideal?
Simplesmente nós o sentimos!

É precisamente aqui que entram os mensageiros do cupido, aqueles encarregados de direcionar a flecha certeira do deus do amor. São eles, nada mais nada menos, que os fe-ro-mô-nios: impressões olfativas, as quais, supõe-se, a exemplo das impressões digitais: são únicas!


O nariz: através dele detectamos o par ideal.

Dentre os sentidos humanos, o mais primitivo é o olfato, que detecta os feromônios através de um pequeno órgão, composto de minúsculos "orifícios", localizados a alguns centímetros do interior do nariz. E, acreditem, a reação emocional que os feromônios provocam pode, li-te-ral-men-te, nos "acender", nos "incendiar".

The Royal Society of Chemistry, March, 2003. (Tradução/Texto - MIA)


Nota do Scientific Editor: Esta matéria foi elaborada a partir de informações veiculadas no site da Royal Society of Chemistry, http://www.rsc.org, com tradução/texto de Maria Isolete Alves (MIA). As ilustrações apresentadas não fazem parte do material original, tendo sido obtidas de imagens disponibilizadas no www.google.com.

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