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Âmbar : uma resina de memórias, uma jóia.

Há vegetais que, entre tantas potencialidades, são capazes de produzir resina - uma substância viscosa que serve de proteção contra o ataque de organismos nocivos, como insetos perfuradores, e de microorganismos. Quando expelida, age na cicatrização de danos no tronco e nos galhos de plantas.

Em contato com ar, essa resina endurece. Se for submetida a processos de transporte (quando caem nas águas dos mares) e à sedimentação (milhões de anos soterrada entre as rochas), sofre modificações químicas e se transforma em um material duro, porém frágil, com cores que variam do castanho ao amarelo. Nessas condições, a resina passa a ser chamada de âmbar, que, para geólogos e paleontólogos, é considerada uma verdadeira "cápsula de memória".

A análise da composição química do âmbar permite determinar, por exemplo, que grupo vegetal produziu a resina de origem. No Brasil, já foi encontrado âmbar nas bacias do Amazonas, Araripe (CE), Parnaíba (PI) e Recôncavo (BA) - todos produzidos por pinheiros da família Araucariaceae (como a araucária ou o pinheiro-do-paraná), no período Cretáceo.




Âmbar

Créditos: AmberFactory.



Além disso, é de grande importância a preservação de diversos organismos, que foram aprisionados e envolvidos, ao se aproximarem da resina. Encapsulados e preservados no interior do âmbar, pequenos animais - como aranhas, escorpiões, mosquitos, abelhas, cupins, besouros, sapos e lagartos, entre outros - ajudam a remontar parte da fauna da época. Esse processo de conservação natural tem características químicas específicas que mantêm as espécies intactas por milhões de anos.


Uma jóia

Ao longo da história da humanidade, materiais apreciados por sua beleza e características foram valorizados e usados como relíquias, objetos rituais e do cotidiano. Desse amplo universo de possibilidades, o âmbar, essa gema de origem vegetal - leve, transparente ou opaca, amarela ou até dourada como o sol, limpa ou com curiosas inclusões, de fácil manuseio e transformação - encantou o homem, que a usou como adorno na forma de contas, pastilhas e figuras esculpidas.

Há registros de pendentes e colares fitos de âmbar há mais de 14 mil anos, mas, passados longos séculos, continua sendo usado como matéria prima singular na confecção de jóias. No Brasil, é um material conhecido e apreciado por poucos, mas, na Europa e Ásia, é reconhecido e bastante valorizado na tradição da produção de belos adornos.





Brincos confeccionados com âmbar.

Créditos: LeaWaider.



São desenvolvidas peças, das simples às mais sofisticadas, onde a gema pode ser o único material ou acompanhada de metais nobres, como a prata e o ouro, ou de menor valor de mercado, como o cobre.

Não há limites para a criação de peças originais com o âmbar, que podem ser clássicas (colares de contas irregulares ou esféricas) lisas, esculpidas ou facetadas: ou na forma de cabochões de anéis, brincos, broches, colares e pulseiras: ou em peças pouco convencionais, como colares-estojos para aparelhos Mp3, que combinam a gema com metais, silicones e plásticos.

Objetos que seduzem não apenas pela beleza, estilo ou impacto visual, mas pelo fascínio que o âmbar desperta - sua origem e formação milenar e como parte da história natural do planeta.


Nota do Managing Editor: esta matéria, primeiramente veiculada na revista Ciência para Poetas, de 01 de outubro de 2008, é de autoria de Bianca Encarnação, Cathia Abreu e Irina Aragão. As ilustrações não constavam do artigo original e foram obtidas em www.google.com.


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