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Pertencer a grupo sanguíneo raro pode ser crucial em momentos críticos !


A raridade dos grupos sanguíneos sempre causou problemas aos especialistas em intervenções médicas de urgência. Em Marseille (França), uma primeira modificação bem-sucedida de transferência de gene deixa entrever a possibilidade de criar amostras desses grupos pesquisados, mas isso não é para amanhã...

Os grupos sanguíneos mais conhecidos são reagrupados em um conjunto batizado ABO (Os quatro grupos A, B, AB e O, com suas variantes Rhesus). Cada um é caracterizado pela presença de um antígeno (uma proteína) na superfície do glóbulo vermelho. Os sujeitos ditos Rhesus positivo, por exemplo, (85% da população na Europa), possuem um certo antígeno (batizado D), ao contrário das pessoas classificadas como Rhesus negativo. Mas a classificação ABO não é a única. Existem ao todo trinta grupos sanguíneos, dos quais alguns são bastante raros, representando cerca de 0,01% da população, o que coloca delicados problemas em caso de transfusão.


Fabricação de sangue sob medida

Uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Hematologia Molecular, do Estabelecimento Francês do Sangue (EFS), afiliado ao CNRS e à Universidade do Mediterrâneo, conduzido pelos doutores Claude Bagnis, Pascal Bailly e Sylvie Chapel, conseguiram pela primeira vez no mundo modificar geneticamente um grupo sanguíneo por transferência de genes.

O trabalho foi feito sobre o grupo Kidd/JK, o nono dos trinta conhecidos (segundo a classificação definida pela Sociedade Internacional de Transfusão de Sanguínea). A imensa maioria das pessoas tem um perfil Kidd positivo. O fenótipo Kidd negativo é extremamente raro, limitado a algumas pessoas em um país como a França.

"Modifica-se o grupo sanguíneo para criar amostras de sangue das quais não se dispõe", explicou o doutor Claude Bagnis quando de uma conferência de imprensa dada na presença de seus dois colegas. Philippe Micco, diretor da EFS, sublinha que no presente é possível, assim como a experiência o demonstra, fabricar sangue humano escolhendo antecipadamente o grupo.

A quantidade assim sintetizada é pequena e insuficiente para uma transfusão. Mas esse êxito técnico pôde validar o princípio operatório.

"É uma etapa, ainda se está bem longe. As pessoas não devem pensar que não é mais preciso doar seu sangue", adverte Philippe Micco. O doutor Bagnis confirma essa advertência estimando que serão necessários ainda quinze ou vinte anos de pesquisas para passar de um primeiro teste bem sucedido em laboratório a uma aplicação confiável.





Glóbulos vermelhos, suportes dos principais grupos sanguíneos.

Créditos: Commons.



Entretanto, já é possível, por essa via, sintetizar amostras sanguíneas de referência a fim de aliviar a falta de amostras de certos grupos raros que devem ser até aqui levantados antecipadamente sobre doadores. Ora, essas amostras são indispensáveis para efetuar uma análise visando determinar o grupo de um recebedor cujo estado necessite uma transfusão. Segundo o doutor Bagnis, essa possibilidade é uma nova porta que se abre para um diagnóstico rápido dos grupos sanguíneos raros, pelo menos tão importante quanto a perspectiva mais distante do desenvolvimento de um sangue artificial.


A partir de células-tronco

Essa modificação genética foi realizada utilizando células-tronco retiradas do cordão umbilical logo após o nascimento. Com a ajuda de vetores virais, a equipe do EFS transferiu genes nessas células antes que elas se especializassem em glóbulos vermelhos, e assim determinar seu grupo sanguíneo.

A produção de glóbulos vermelhos modificados constitui uma esperança considerável para numerosos pacientes, dos quais alguns não têm senão poucos doadores compatíveis no mundo, a exemplo de uma mulher suíça de 30 anos que precisou aguardar mais de três meses antes de se submeter a uma intervenção cardíaca. Em seu caso, apenas seis doadores foram descobertos, no Japão e na Inglaterra. Contudo, algumas vezes os doentes não têm essa chance...

Alguns pacientes ditos "de risco" são também susceptíveis de desenvolver uma reação grave quando de uma segunda transfusão. Na primeira vez, nada de lastimável acontece, o sangue transfunde sem problemas. Mas anticorpos se formam. Quando de uma segunda transfusão, o paciente destrói a proteína estranha e falece rapidamente.

O surgimento dessa nova tecnologia, que permitirá num futuro ainda distante produzir sangue compatível à vontade, resolverá numerosos casos para os quais a medicina hoje está desarmada.

Futura Sciences, 03 de abril, 2009 (Tradução - MIA).


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