Laboratório de Química do Estado Sólido
 LQES NEWS  portfólio  em pauta | pontos de vista | vivência lqes | lqes cultural | lqes responde 
 o laboratório | projetos e pesquisa | bibliotecas lqes | publicações e teses | serviços técno-científicos | alunos e alumni 

LQES
pontos de vista
artigos de revisão

artigos de opinião

editoriais

entrevistas

divulgação geral

divulgação LQES

 
EDITORIAIS

Materiais Transgênicos
Editorial de Cordelia Sealy, Editora do periódico Materials Today, publicado em Materials Today, março de 2002.

O debate público sobre a ética da pesquisa transgênica passou ao largo das chamadas ciências físicas. Cientistas de materiais e pesquisadores podiam se considerar afortunados por não ter que se posicionar sobre tal questão. Poderiam estar agradecidos pelo fato de sua esfera de pesquisa não ter sido afetada pelas manifestações públicas que, apesar da desconfiança, aplaudiram as poucas e controladas tentativas do uso de espécies transgênicas fora dos laboratórios e no meio ambiente natural. Até agora foi assim!

Em números recentes da Science [295, p. 472-476 (2002) e, também, na Materials Today, março (2002) p. 6], cientistas americanos descrevem o desenvolvimento de seda sintética de aranha usando leite de cabras transgênicas. Tal afirmação remete a imagens de um sonho bizarro, o que naturalmente não é o caso! Não se trata de nenhuma meio-aranha, meio-cabra tecendo teias gigantescas. Não obstante engenhosa, em termos científicos, é bem mais prosaica a realidade. A habilidade de produzir um material natural que ocorre em abundância e adaptá-lo para que contenha certas proteínas - as quais podem ser usadas para sintetizar a seda - é, certamente, revolucionária. Contudo, estaríamos nós interessados? Como freqüentemente é o caso, a resposta já está dada: sim e não. Contextualizando a tecnologia transgênica, vale lembrar os extremos para os quais o que olharíamos como seleção por procriação "natural" têm sido extendidos (Basta somente pensar nas raças de cães Chihuahua e no Grande Dinamarquês!).

Entretanto, esse trabalho não registra apenas algo substancialmente diferente. Os cientistas podem, agora, trocar material genético entre espécies completamente diferentes entre si. O material genético tem funções bastante específicas e, necessariamente, não trará consigo qualquer efeito inesperado. Todas as espécies partilham grande quantidade de material genético. Contudo, verdade seja dita, ninguém pode saber o que e quais complicações tal ato pode trazer a longo prazo. Agora que tais técnicas genéticas são possíveis, não há retorno. Quais, então, deveriam, e quais não deveriam ser impedidas, são objeto de debate sobre o assunto, da parte de cientistas e opinião pública. Uma vez que tais questões estão claramente inseridas no âmbito das preocupações do público, os cientistas não podem negligenciar seu dever, informando o público a respeito de suas preocupações e explicando, claramente, e em linguagem acessível, todas as questões.

Nós, por conta de sermos enormemente consumistas, temos fontes limitadas de recursos a nossa disposição. Várias decisões devem ocupar um primeiro lugar no plano das reflexões e precisam ser tomadas - podemos ter que abraçar tais conceitos revolucionários como as espécies transgênicas para prover recursos e o ambiente de que precisamos, ou deixarmos de lado uma qualidade de vida com a qual estamos acostumados. O que está claro, agora, é que não se trata apenas de um debate entre biólogos. Todos os cientistas têm um papel a desempenhar nesta questão.


Cordelia Sealy, Editora da MaterialsToday, publicado em Materials Today, março de 2002.

Nota: Este Editorial é uma tradução livre de Maria Isolete Alves, Managing Editor do LQESWebsite.

Veja a nota veiculada na rubrica Notícias de C&T e do LQES que tratou deste assunto. Clique aqui.

 © 2001-2017 LQES - lqes@iqm.unicamp.br sobre o lqes | políticas | link o lqes | divulgação | fale conosco