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Costurando com a eletrônica....

Um computador ou um telefone na própria trama de uma roupa, a qual produziria corrente e indicaria a temperatura, seria possível graças um tecido metálico em escala micrométrica.

Já foram vistas roupas inadequadamente qualificadas como "inteligentes", seja porque elas integram algumas "inovações" eletrônicas, seja porque realizam tal ou tal função (hidratantes, graças à microcápsulas ou lenços antipoluição, revestidos com carvão ativo).

Contudo, Chang Liu - responsável pelo Laboratório de Micro e Nanotecnologia da Universidade de Urbana-Champaign (Illinois, EUA) -, vai bem além e encontrou o meio de integrar funções eletrônicas no próprio tecido.

Suas equipes exploram múltiplas oportunidades oferecidas pelas nanotecnologias - este é um caso -, tais como os mecanismos miniaturizados chamados MEMS (Microelectromechanical Systems). Deve-se a eles os pelos sensoriais artificiais inspirados em peixes e destinados aos submarinos (aliás, o website de seu laboratório merece uma visita).





Flexível, o tecido metálico acaba de ser usado para recobrir uma bola de 2,5 centímetros de diâmetro.

Créditos: Jonathan Engel



Desta feita, eles realizaram uma armadura de malha miniatura. Feita de anéis de cobre de 500 mícrons de diâmetro, reunidos por laços de 400 mícrons, ela é efetivamente construída como as proteções metálicas usadas pelos soldados romanos e na baixa Idade-Média.

Para realizá-la, a equipe depositou finas camadas de alumínio e de cobre sobre um padrão. Em seguida, realizou um ataque químico que deixou subsistir tão-somente o entrelaçamento metálico.


Semicondutores "embarcados".

O resultado é um verdadeiro tecido, o qual pode se curvar segundo dois eixos e que apresenta propriedades elásticas. Pode, ainda, sofrer um estiramento de 32%, o que o faz encolher 56% no outro sentido. Sob esse tipo de esforço, os anéis, pequenos e grandes, deslizam uns contra os outros, e se arranjam segundo formas diferentes.









Armadura de malha constituída de anéis reunidos por prendedores retangulares. Ela muda sua forma segundo esteja estirada (figura superior) ou retraída em um determinado sentido (figura inferior): portanto, possui certa elasticidade!

Créditos : Jonathan Engel


A semelhança com uma armadura de malha fica só nisso, porque exatamente a solidez desse tecido experimental deixa a desejar: a resistência à ruptura não alcança metade daquela que se pode esperar de tal material em cobre. O ponto fraco seria constituído pelas ligações entre os grandes anéis.

Por que então falar de roupas inteligentes? Segundo os pesquisadores, a técnica de fabricação (que evoca aquela dos circuitos integrados) pode, de um lado, ser adaptada a superfícies maiores e, de outro, incorporar aqui e ali semicondutores.

Células fotoelétricas ou detectores de todo tipo (movimento, pressão, temperatura, substâncias químicas...) poderiam, assim, fazer parte do próprio tecido realizando, por exemplo, funções informáticas (tratamento racional de sinais) ou de comunicações.

É com esse objetivo que Chang Liu e sua equipe teceram esse estofo fora do comum. Como de costume, os militares poderão ser os primeiros clientes dessas roupas com funções ativas. Mas, um dia, talvez o marinheiro possa consultar a estação de meteorologia que está integrada em sua capa...

Futura-Science, 07 mars, 2007 (Tradução - MIA).


Nota do Managing Editor: o texto deste material é uma tradução livre do artigo de Jean-Luc Goudet.

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