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DIVULGAÇÃO

Technology Review apresenta sua lista de Tecnologias Emergentes para 2008.

Anualmente, a revista Technology Review oferece sua lista das tecnologias que, segundo ela, marcarão o ano. Para 2008, observar-se-á que foi selecionado um certo número de tecnologias que dizem respeito à incerteza, à complexidade e às relações sociais. Parece que, atualmente, os pesquisadores se aventuram por domínios perigosos onde as certezas edificadas construídas por Newton e Descartes desmoronam-se.





Capa da publicação do MIT Tecnology Review

Créditos: TR/MIT



Não se pode estar senão surpreso por esse projeto de um novo modelo de processador probabilístico, capaz de se "enganar" ligeiramente em seus cálculos. Qual o interesse? Consumir menos... De fato, os processadores dispensam muita energia para evitar o erro. Quando os primeiros computadores foram criados, deviam essencialmente gerir tarefas para as quais a exatidão era uma exigência fundamental, quer fosse o lançamento de foguetes ou os balanços contábeis. Mas, hoje, manipulam-se informações muito mais delicadas leves, como o som ou a música. Qual, afinal, a importância se um processador "se engana" um pouco sobre a cor de um píxel, sobre a tessitura de um instrumento musical ou a altura de uma nota? Além de tudo, a compressão com perdas (como no caso do MP3) nos habituou a essas pequenas infidelidades que estão abaixo do limiar de percepção. Utilizando-se um tal sistema probabilístico pode-se em grande parte fazer baixar a tensão elétrica necessária aos processadores e aumentar o tempo de vida das baterias de computadores portáteis ou de mesa. Mas, em um futuro mais distante, o sistema poderá prosseguir na melhoria constante dos processadores descritos pela famosa Lei de Moore. A miniaturização aproxima de fato um estado, aquele da física quântica, onde a exatidão torna-se possível e onde a probabilidade torna-se a regra. Ora, esse novo tipo de processador integra precisamente uma lógica probabilística que pode gerir esse tipo de incertezas.


O comportamento humano sob o olhar dos modalizadores

Ainda o desconhecido e o imprevisto: como modalizar a surpresa? A própria expressão pode parecer contraditória, porque a surpresa é, por definição, o que não se pode prever. Todavia, essa não é a primeira vez que os pesquisadores tentam descrever o inesperado: as múltiplas teorias do caos, da complexidade ou os sistemas multiagentes testemunham isso. Mas essas pesquisas continuam, na maior parte, teóricas. Eric Horvitz, que dirige o grupo Sistemas Adaptativos e Interação, na Microsoft Research, tentou desenvolver uma aplicação prática. Por conseguinte, criou o Smartphlow, que observa o tráfego da cidade de Seatle (EUA) e envia alertas aos motoristas, apenas quando acontece um evento inesperado: por exemplo, um engarrafamento em uma rua geralmente fluida. Horvitz espera poder, a seguir, aplicar essas técnicas a outras áreas, por exemplo, na predição de conflitos armados.

O comportamento humano, eis ainda um fenômeno difícil de modalizar. No MIT, Sandy Pentland utiliza os telefones celulares para determinar um certo número de constantes nas ações de diferentes usuários. Ele acredita que os telefones celulares se mostrem ainda mais capazes de captar informações sobre seu utilizador, como sua atividade física. Tal indiscrição permitirá, segundo ele, examinar e melhorar as condições de trabalho, o bem-estar das comunidades, e mesmo predizer as epidemias ou as condições de saúde de um usuário.


As neurociências com grandes honras

Ainda a complexidade com a "conectonomia", uma das duas tecnologias que dizem respeito às neurociências, nas Dez Mais 2008. O trabalho de Jeff Lichtman, em Harvard (EUA), consiste em cartografar as interações entre neurônios no cérebro de mamíferos. Até o presente, os cientistas não dispunham de diagramas que lhes permitissem compreender, com uma olhadela, o conjunto de uma configuração de várias centenas de neurônios.

Um dia, talvez, Lichtman utilize em seus trabalhos "magnetômetros atômicos", a segunda das tecnologias selecionadas esse ano que tem uma relação com as neurociências. Os detectores de campos magnéticos são, de fato, utilizados para obter imagens precisas do cérebro, graças à técnica IRM (Imageria de Ressonância Magnética), mas têm ainda outros usos, principalmente em química. Problema: para obter dados bastante precisos, é necessário um detector enorme. O físico John Kitching desenvolveu detectores muito precisos, de tamanho análogo a um grão de arroz. Se sua tecnologia se generalizar, poder-se-á, por exemplo, conceber aparelhos a IRM bem menores, e mesmo portáteis.


O grande vôo das nanotecnologias

Na série small is beautiful, Technology Review colocou também em sua seleção nanorádios, baseados em um único nanotubo. Esses rádios são tão pequenos que poderão, um dia, ser implantados diretamente no corpo humano: estarão, então, prontos para enviar informações sobre a saúde de seu portador a um detector situado no exterior.

Viu-se que o processador probabilístico era um meio de contornar a Lei de Moore. Uma outra possibilidade seria substituir o silício por grafeno, um cristal de carbono dos mais comuns, uma vez que tem na origem o grafite de nossos lápis pretos (mas, igualmente, nanotubos e fulerenos). Segundo Walter de Heer, do Georgia Institute of Technology (EUA), esse novo material poderá multiplicar a velocidade dos computadores de amanhã: "Há um limite físico à velocidade obtida com o silício, um ponto além do qual você não pode mais acelerar suas performances. Estamos atualmente bloqueados em nível do gigahertz. Contudo, com o grafeno, acredito que poder-se-á subir até o terahertz - mil vezes um gigahertz..." LQES NEWS publicou várias notícias sobre o grafeno e suas aplicações. [1]


A energia

Duas outras das tecnologias mencionadas pela Technology Review estão ligadas à energia. A primeira é a generalização da eletricidade sem fio. Hoje, transmitir energia sem fio é complicado. Pelas ondas de rádio, a perda é muito importante. Quanto ao laser em uma rede ponto a ponto religando os aparelhos, a técnica é bastante incômoda. Daí a idéia de Marin Soljacic, professor de Física no MIT (EUA), de explorar uma outra pista: a da ressonância, que repousa no fato de que dois objetos emitindo a uma mesma freqüência trocam uma grande quantidade de energia. O exemplo clássico é aquele do vidro que explode quando um cantor consegue emitir um som na mesma freqüência de vibração do vidro. Os primeiros experimentos são mais conclusivos, mesmo se realizados em pequenas distâncias (alguns metros) e fracas potências (60 watts), com um desperdício menor que outras tecnologias (50% de potência no momento). Contrariamente às técnicas de recarga por indução, propostas por Powercast, Fulton Innovation ou WildCharge, a tecnologia de Soljacic, um dia, talvez, permitirá recarregar baterias automaticamente, sem necessidade da caixa de carregamento. [2]

A outra tecnologia emergente ligada a energia, coroada pela Technology Review, se baseia nos trabalhos que visam melhorar a produção de biocombustíveis a partir da degradação da celulose e utilizando materiais como madeira, palha ou resíduos agrícolas. Contrariamente às outras técnicas de criação de biocombustíveis, a linha celulósica não utiliza recursos alimentares, como o milho ou a cana-de-açúcar. É também mais ecológica: é capaz de reduzir as emissões de gás de efeito estufa em 87%, com relação à utilização dos derivados do petróleo. A título de comparação, um biocombustível como o etanol, produzido a partir do milho, não reduz essas emissões senão de 18 a 28%. Mas a produção de biocombustível celulósico, em escala industrial, é cara e não rentável. Frances Arnold, professora de engenharia química e de bioquímica no Caltech (EUA), acredita ter encontrado a solução: as enzimas. De fato, uma só dessas proteínas é suficiente para transformar o milho em açúcar, o qual é uma fonte de energia. Mas ao contrário, é preciso um conjunto de enzimas para degradar a celulose e produzir energia. Frances Arnold busca criar microorganismos capazes de efetuar esse trabalho de maneira mais eficiente. Para isso, utilizou uma técnica chamada evolução dirigida, para criar uma miríade de seqüências de DNA, capazes de codificar novas proteínas. A seguir, a pesquisadora insere esses genes mutantes nas bactérias para testar sua ação. Na verdade, não se trata somente de encontrar uma boa enzima, mas, sim, de constituir um grupo de trabalho de várias, dentre elas, capazes de colaborar eficientemente.


Sobre a Web

A única tecnologia Web a ter sido distinguida é a de aplicações Web offline, como aquela desenvolvida pela Adobe com o AIR (Adobe Integrated Runtime), que permite aceder a aplicações on-line e off-line. Para Kevin Lynch, arquiteto de software da Adobe, esse tipo de aplicações híbridas deverá permitir aos usuários tirar simultaneamente vantagens não só da Internet mas também das capacidades de suas próprias máquinas. AIR é um ambiente de execução, software que permite a um mesmo programa funcionar sobre todo tipo de sistema: um software desenvolvido a partir do AIR não terá, portanto, necessidade de ser adaptado para funcionar sobre diferentes sistemas. Para Linch, AIR é a resposta à evolução da Web na direção de uma mídia mais interativa. Ainda que o navegador tenha sido criado para as páginas Web, Linch estima que temos para o futuro necessidade de interfaces mais apropriadas para o "Web logicial" que utilizamos hoje.

Futura Science, consultado em 08 de março de 2008 (Tradução/Texto - MIA).


Matérias veiculadas no LQES NEWS sobre alguns dos temas aqui tratados:

Grafenos: futuro da miniaturização?

Filmes de carbono ou inorgânicos versus filmes de óxido de grafeno: quem vence a parada?

Transmitir corrente sem fio: mais uma aplicação da Ressonância Magnética Nuclear.

Etanol celulósico.

Etanol celulósico: nos EUA, passa à escala industrial.


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